Entrevista

UMA MULHER MARAVILHA DOS DIAS ATUAIS
    
  No começo não tinha ideia de quem entrevistar. Eu sinceramente achava que não saberia passar a história de vida de uma pessoa para as letras de uma boa maneira, que ficasse legal e interessante de se ler, mas acho que consegui o resultado que eu esperava.
  Flávia da Silva Rodrigues tem atualmente 33 anos de idade.  Começou a estudar aos cinco anos de idade, ela disse que, mesmo antes dos cinco já gostava muito de livros. A mãe dela percebendo isso e querendo apoiar a filha pequena, falou com uma professora amiga da família pra que ela pudesse começar a estudar. Flávia aos cinco anos de idade começou a estudar sem ser registrada na escola, devido a isso não podia passar de série - a razão de ela ter ficado na mesma série dos cinco aos sete anos de idade - até completar os sete anos e começar normalmente como toda criança naquela época fazia.
 Ao ser perguntado sobre a época da palmatória, ela disse não viver essa parte, mas que em sua época era usada uma espécie de régua de madeira no lugar da palmatória. Ela disse que recebia a régua na mão como forma de castigo, por fazer ou responder alguma pergunta de forma errada, disse também que levava beliscões da professora (isso aconteceu do jardim até a primeira série do ensino fundamental, com a mesma professora). Depois na segunda série a sua nova professora não usava desse tipo de ensino e ela disse ter sido a primeira professora que ela realmente chegou a aprender. Já na terceira ela voltou a estudar com a mesma professora que deu aulas a ela no jardim de infância, mas ela não batia mais, nem beliscava devido às leis estarem mais rigorosas nessa questão, porém ela continuava gritando muito com todos os alunos.
 A quarta série foi boa, mas quando chegou à quinta, ela tinha que pagar pelos estudos, pois o governo só oferecia estudos gratuitos até a quarta série. Porém na quinta ela já namorava e seu namorado pagava pelos estudos dela. A quinta série pra ela foi o ''must'' (palavras dela, não minhas) porque ela começou a estudar educação física, onde as aulas eram ao ar livre incluindo esportes como vôlei e futebol. Ela também disse que tinha aulas de arte e inglês. 
 Depois da quinta ela parou de estudar, aos treze anos de idade casou-se, tendo sua primeira filha aos catorze e sua segunda aos dezesseis anos.
 
''Tive que parar para cuidar das minhas filhas, a prioridade no momento era essa'' 
 
  Aos dezoito anos de idade, com as filhas relativamente ''crescidas''. Ela voltou a estudar durante um ano através do programa PROJOVEM ela completou as três séries que faltavam do seu ensino fundamental, mas depois de terminar, aos dezenove anos ela fez a prova do EJA, por não se achar apta (já que tinha terminado três séries em um ano, e um curso profissionalizante de serviços gerais que também era disponibilizado, dentro do período de um ano), porém tirou ótimas notas na prova, deixando sua insegurança de lado.
 
''Resolvi testar minhas habilidades, não sabia se realmente tinha conseguido aprender, então fiz a prova, mas as notas foram ótimas então consegui dois certificados do ensino fundamental.''
 
  Começou a trabalhar duas vezes por semana, e estudar as séries de ensino médio pelo EJA no período da noite. Começou um curso técnico de enfermagem, mas, por falta de tempo e dinheiro, não conseguiu terminar. Fez um curso de computação pela Fundação Bradesco onde teve êxito em todas as matérias, inclusive acabando uma antes de todos os outros alunos.
 Quando questionada se continua lendo, ela disse que sim, porém não tem mais tanta paciência para terminar os livros.
 
''Eu até leio, quando o livro chama muito a minha atenção.
Os que eu mais gosto são: Heróis da fé, Eles andaram com Deus e Criando filhos vencedores. ''
 
   Quando perguntada sobre o uso da tecnologia, ela disse achar bom. Ela disse ''90% são ajuda da tecnologia os outros 10% são na sala de aula''.
 
''Hoje em dia ninguém pensa mais, a internet dá tudo mastigado, tecnologia vicia você entra e esquece-se do mundo, tem que existir muita disciplina pra quem usa tecnologia. O ruim é que você não faz nada e na minha época, tínhamos que escrever. Eu gostava muito de escrever, muitas vezes escrevia no caderno com lápis pra quando as folhas acabassem eu pudesse apagar e escrever novamente, meus pais não tinham condições de comprar cadernos todos os anos. ''
 
  Ela disse também que, quando gosta muito de um livro, escreve frases em algum lugar, para que ela fixe na memória. Quando questionada sobre o uso do Whatsapp, ela apenas disse que preferia o MSN. Fazendo-me rir muito devido a isso, nunca vi alguém dizer que preferia o MSN.
      
''Preferia o MSN. Tinha aquela tremedeira pra chamar atenção, não tinha quem não respondesse, no Whats não, as pessoas vêem as mensagens e respondem se quiserem, olham se quiserem.
No MSN não, também tinha aqueles emojis engraçados que eu gostava. ''
   
 Já sobre o Facebook, ela foi sucinta e direta.
    
" Diminuiu  as distâncias e acabou com o Orkut, que eu até gostava muito por causa dos joguinhos. ''
 
  Ela ainda falou um pouco sobre cartas e telegramas, disse que chegou a mandar telegramas, mas demoravam muito para chegar. As cartas eram da mesma maneira. Ela também me contou que conheceu algumas pessoas de outros estados através das cartas e que passou muito tempo se correspondendo com elas, mas com o tempo a quantidade de cartas mandadas foi diminuindo até o momento em que elas não se correspondiam mais.
  
                                      

     
       
              

  
 


 


                           NARRATIVA

        QUEM É VOCÊ COMO ESCRITOR/LEITOR

   
 Meu contato com a leitura começou cedo. Meus pais já liam pra mim antes mesmo que eu começasse a ler. Depois que comecei a ler, lia muitos gibis, inclusive existe um gibi na casa da minha avó, que pertencia ao meu pai quando ele era adolescente. Quando comecei a estudar era fascinada por qualquer coisa que eu pudesse ler, meus professores do 1° ao 4° ano foram ótimos em relação a “influenciar na leitura”, depois dessas séries só voltei a ter boa ''influência acadêmica'' do 8° ano do ensino fundamental até o último ano do ensino médio e foi nessas séries que me apaixonei por roteiros, peças, literaturas o que acabou ''desencadeando'' minha verdadeira paixão pelas artes.  
  











 Essa foi a Flávia Rodrigues pessoal.
 
Minha mãe.

Minha Mulher Maravilha.

RESENHAS/ NARRATIVAS